REFLEXÕES ACERCA DA ADOLESCÊNCIA Ano 22 :: Edição Nº 271 :: Outubro.2017 As últimas décadas tem sido palco de inúmeras transformações políticas, econômicas, culturais, religiosas e histórico-sociais, sendo, portanto, a configuração da família e, o desempenho dos papeis parentais modificados consideravelmente. Frente a esta realidade, o que se vislumbra no âmbito educacional escolar e, nos consultórios de psicologia são as dificuldades encontradas na estrutura familiar e na forma como os pais receberam educação, muito diferente do que se processa na atualidade e as adversidades de aceitação das mesmas.

A família compreende a um grupo social, que exerce influência sobre a vida dos sujeitos, sendo assim, uma organização complexa, singular e de constante interação. E é no grupo familiar que se configura o importante papel da constituição e desenvolvimento da criança, sendo influência no comportamento, no humor, nas emoções e forma de agir e interagir no mundo. Pode-se afirmar que a família enquanto instituição é responsável pelo processo de socialização primária da criança, primeiramente com os pais, irmãos, e, posterior a interação parental com avós, avôs, tios e primos.

O papel primordial que a família exerce sobre o sujeito está para além das funções biológicas (sobrevivência), e sim, psicológicas e sociais. Os adultos oferecem seus modelos, crenças, bagagem de vida, regras e normas para os mais jovens e estes recebem como modelos a serem introjetados e, repassados às gerações que se sucedem.

Neste processo de desenvolvimento requer atenção a adolescência, o início e a duração deste período evolutivo está atrelado com a sociedade, cultura, épocas e apresenta características específicas, em outras palavras, depende do ambiente que está inserido. Entretanto, também está relacionado a transformações biológicas inevitáveis, mudanças físicas, componentes psicológicos e sociais, onde o menino e a menina atingiram certo grau de independência em relação aos pais.

Neste último, - certo grau de independência dos pais, tem gerado conflitivas em muitas famílias, o adolescente passa por momentos de muita ambiguidade: afetos e desafetos, desequilíbrios e equilíbrios, instabilidade extremas, insegurança, angústia, sente-se injustiçado e mal compreendido em suas colocações. Desejo eminente de autoafirmação, constituição de uma identidade, agora, diferente de seus pais, e que lhe parece que “tudo” está completamente errado e fora de lugar.


Águida Solange Costa Hettwer . Psicóloga Clínica CRP 07/26496 .aguidahettwer@netwizard.com.br